Marcela era mãe de oito filhos. Com a doença do esposo precisou viajar para o sul a fim de cuidar melhor do esposo.
Antes de tudo ficar pronto para viagem ficou decidido que Anita iria ficar com a vizinha Cármen. Uma vez que seria muito difícil cuidar de oito crianças numa nova cidade grande e além do mais com o esposo enfermo. Cármen registrou a pequena Anita e a criou como filha, dando-lhe amor, carinho e todos os mimos dados a um filho.
Tendo Marcela alguns parentes na cidade natal, uma vez por outra vinha visitá-los , mais nunca se preocupava em visitar a filha que tinha doado.
Anita crescia e não conseguia entender o motivo da doação; uma vez que sua mãe podia criar sete porque só ela tinha sido doada? Até porque ela não era a mais nova (porque os mais novos sempre merecem mais cuidados e atenção).
Sempre que tomava conhecimento que os pais estavam na cidade seu coraçãozinho de criança sofria e desejava abraçá-los e aconchegar-se no colo dos pais.
Mas estes não demonstravam o menor sentimento de carinho pela pequena Anita.
O tempo passou, Anita cresceu, casou teve três filhos mais não foi bem sucedida. O casamento se desfez, os pais adotivos faleceram e ela se viu obrigada ir morar na casa dos pai.
Os irmãos não a reconheciam como irmã.
Os pais por sua vez não ficaram nada satisfeitos com tal atitude.
As brigas em casa eram constantes e a angustia de Anita crescia cada vez mais por não entender o motivo de tal atitude por parte dos pais.
Muitas vezes pensou não ser filha do casal. Mais era sim!
Uma vez em meio a uma conversa com os pais ela perguntou: _ Pai o que eu tenho de bom? Ele a bom tom respondeu: Nada!
A mãe por sua vez sentia a mesma aversão que o pai. Na verdade eles nunca gostaram daquela criança.
Com certeza a rejeitaram desde o ventre.
